Chanel J12 Rétrograde Mystérieuse – a paixão pela imaginação

Chanel J12 Rétrograde Mystérieuse

Em jeito de comemoração da sua primeira década, o J12 vestiu-se de gala, belo como sempre, e não se ficou por menos: duas novas complicações. Não apenas novas neste relógio, nem apenas novas para a Chanel. Falamos de duas complicações nunca antes vistas. Se pensava que a Chanel era apenas estética, engane-se. E não mais a subestime.

É difícil saber por onde começar, já que tudo no novo J12 é deslumbrante. Às 9 horas, o icónico turbilhão, tão belo quanto complexo, assegurando a exactidão do mecanismo manual, visível através do mostrador, esqueletizado; aproximadamente às 12 horas, a indicação da reserva de marcha, com um máximo de 7 dias; a caixa, de uma perfeição circular difícil de igualar, em cerâmica negra. E eis que chegamos à primeira inovação.

O J12 foi idealizado como dono de uma circunferência perfeita, algo que dificilmente seria possível devido à inevitável coroa, quer estivesse colocada às habituais 3 horas, quer em qualquer outra posição lateral. A solução encontrada é algo que nunca fora pensado – ou pelo menos conseguido – por qualquer outro relojoeiro: a coroa foi colocada… por cima.

O J12 Rétrograde Mystérieuse é o primeiro relógio onde a coroa surge nesta posição, funcionando com um sistema de pressão: o utilizador carrega, e ela sobe, podendo ser utilizada normalmente; quando já não é necessária, basta empurrar, ficando oculta e não prejudicando quer a perfeição circular da caixa, quer a harmonia estética do relógio. Simples, mas ao mesmo tempo tecnicamente complexo e inovador.



No entanto, esta inovação causa um outro problema: a nova posição da coroa quebra o andamento normal do ponteiro dos minutos, impossibilitado que fica de percorrer o espaço entre os 10 e os 20 minutos… o que nos leva para a segunda inovação, expressa no nome deste modelo. E, uma vez mais, a solução é igualmente simples e complexa: se não pode seguir em frente… apenas terá que voltar atrás.

Quando o ponteiro chega aos 10 minutos, “chocando” com a coroa, inicia automaticamente um movimento retrógrado, invertendo a sua marcha e chegando à posição dos 20 minutos pelo caminho inverso. Durante esse período, os minutos não poderão, claro, ser lidos pelo ponteiro, pelo que foi implementado um pequeno mostrador digital entre as 5 e as 6 horas, que exibe os minutos de 11 a 19, permanecendo sem qualquer indicação durante o resto da hora. Enquanto isso, o ponteiro dos minutos viajará lentamente em sentido inverso, numa viagem que durará precisamente 10 minutos. Chegado à sua posição no minuto 20, o relógio continua o seu funcionamento normal, até que aconteça novo “choque” com a coroa, 50 minutos depois.

Imaginar e desenvolver o funcionamento deste sistema foi, escusado será dizê-lo, um desafio enorme, apenas acessível ao mestre relojoeiro Guilio Papi, autor de algumas das mais recentes complicações do mundo horológico. Duas funções nunca antes vistas, que nascem não só do conhecimento, mas sobretudo da paixão pela inovação, com os frutos à vista de todos.

A tudo isto junta-se a estética, essa sim já habitual, da Chanel, presente em todos os pormenores do J12. Um sonho materializado.